Foi há precisamente meio-século, no dia 3 de março de 1969, que um consórcio formado por algumas marcas especializadas em cronógrafos apresentou – em conferências de imprensa simultaneamente realizadas em Genebra e Nova Iorque – um revolucionário movimento cronográfico automático. Simultaneamente uma das marcas desse consórcio, a Heuer, introduzia um cronógrafo de caraterísticas nunca antes vistas: o Monaco. Isto no meio de uma corrida tripartida que ficou para a lenda da relojoaria…

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Por Miguel Seabra

Máquina do tempo: 3 de março de 1969. Há exatamente 50 anos, o mundo ficava a conhecer simultaneamente o novo calibre cronográfico automático Chronomatic e o cronógrafo quadrilátero Monaco – na sequência de uma fascinante história que teve outros protagonistas indiretos e que proporcionou alguns dos mais emblemáticos relógios de sempre.

Mas para contar a história do Chronomatic e, consequentemente, do Monaco (que já estão a ser celebrados online com os hashtags #chronomatic50 e #monaco50), é necessário recuar ainda mais no tempo…

A popularização do relógio automático aconteceu sobretudo a partir da década de 50 e começou a ganhar grande relevância no início dos anos 60 – de tal modo que os relógios de corda manual passaram a ser considerados ultrapassados.

Hoje em dia, e na sequência do renascimento da relojoaria tradicional após a crise do quartzo, encaram-se os movimentos de corda manual e corda automática como sendo equivalentes com princípios mecânicos diferentes e a maior parte das obras-primas da relojoaria nas últimas duas décadas até assentam em calibres de corda manual.

Mas, numa década de 60 em que o futurismo associado à conquista do espaço começou a capturar o imaginário das pessoas, o que estava a dar era mesmo a novidade – e os relógios automáticos, desenvolvidos sobretudo pela Rolex há já algum tempo, eram considerados o último grito da tecnologia…