Houve algo que na juventude de Sandro Fratini o marcou para a vida e o levou a colecionar relógios. Não se sabe ao certo o que terá sido, mas o resultado representa a maior coleção de relógios de pulso vintage do mundo. O novo livro My Time, produzido em colaboração com a Christie’s, é a autobiografia da coleção de um italiano que não se considera um colecionador e que assume uma relação de verdadeiro amor com os seus relógios.

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Por Carlos Torres

Sandro Fratini nunca vendeu um relógio que fosse dos mais de 2000 que adquiriu ao longo da sua vida. A valorização excecional que essas peças acabaram por alcançar no mercado vintage são um aspeto que nunca lhe suscitou interesse. Jamais adquiriu um relógio numa perspetiva de especulação ou valorização, nunca trocou um dos seus relógios por outro e, pasme-se, usa-os durante poucas horas apenas ou poucos dias, assim que os adquire.

Depois, junta-os à restante coleção espalhada por diversas caixas-fortes na região de Florença. Um aspeto marcante da personalidade de Sandro Fratini que, compreensivamente, muitos colecionadores têm dificuldade em entender.

A importância e a influência de Sandro Fratini no mundo do colecionismo de relógios ao mais alto nível eram, até agora, um segredo bem guardado e conhecido apenas por uns quantos. A abrangência e a importância das peças que adquiriu ao longo de mais de quatro décadas são de tal forma importantes que acabaram por definir uma tendência e apontar o caminho a seguir para muitos dos mais influentes colecionadores da atualidade. Houve períodos em que as aquisições de Fratini chegaram mesmo a ‘secar’ o mercado, no que se refere a determinadas marcas e linhas, levando a que outros colecionadores se deixassem levar pelas mesmas preferências quando começaram a compor as suas coleções.

A elevada relevância dos colecionadores italianos na atualidade deriva, aliás, diretamente da ação e influência de Sandro Fratini junto do mercado. Por isto, e por muito mais, o italiano terá forçosamente de ser considerado um grande colecionador cujas caraterísticas o tornam num caso raro e absolutamente exótico entre os seus pares.

A recente publicação do livro My Time em parceria com a Christie’s vem permitir afirmar que, como colecionador, Sandro Fratini está ao nível de Philippe Stern, e que a coleção deste último, exposta no Museu da Patek Philippe, em Genebra, é a única capaz de suplantar o extraordinário património relojoeiro que acumulou. Este facto acaba por ser confirmado por diversos amigos mais chegados de Fratini. (…)